Autores e personagens A procura de um tema, para escrever um texto e assim preencher o espaço gentilmente cedido pela Folha da Região, aos escritores da UBE, me ocorreu uma reflexão; Como escrever sem ler? Este texto escrito em 2015, não consta nos meus arquivos como publicado. Ao encontrar este texto aqui abandonado e sem lembrança nenhuma de tê-lo publicado antes decidi, vou publicá-lo. Hoje ele me pareceu mais atual do que antes. Como eu poderia escrever sobre um relacionamento tão intimo entre escritores e seus personagens, sem antes conhecer um pouco mais dos meus autores. Lancei-me a pesquisar os personagens criados por grandes mestres da literatura. Aqueles que permanecem na memória do leitor. Aqui vou escrever um pouco sobre os meus eleitos. Ainda que eu viva outros setenta anos, sempre me surpreenderei com alguns hábitos meus, desta vez foi a percepção de que nada escrevo sem pesquisar um pouco sobre o tema. Estou sempre recorrendo a minha...
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Borboletas Carpideiras
Borboletas Carpideiras Certos animais contam com o carinho e proteção de algumas pessoas, contudo, são detestados e temidos por outras. Borboletas, com elas mergulho em devaneio ao observá-las, naquele bailado aéreo, para mim elas são lindas e lépidas, não as vejo apenas como insetos lepidópteros. Se as tivesse conhecido com este estranho nome, por certo sentiria medo, mas foram-me apresentadas como borboletas. Na infância adorava caçá-las, com delicadeza colocava-as entre as folhas dos meus cadernos, eram ao mesmo tempo brinquedos e adornos. Como me afeiçoei ao bichinho! Já ouvi as mais variadas histórias sobre as mesmas, algumas belas outras aterrorizantes. Disseram-me certa vez que borboletas eram almas de pessoas jovens, que voltavam a terra para um passeio. Se ...
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Ali existe um muro. Quando digo isso, as pessoas riem, zombam de mim. — É! De fato, ali existe um muro — repetem. Elas têm razão, evito discutir, elas falam daquele que quase todas as casas têm. O muro do fundo, que as separam dos vizinhos, de concreto. O que elas não entendem é que além daquele tem outro. Não sei mais o que faço, aquele muro me atrai. Estou sempre sobre o muro de concreto observando-o. Apesar de invisível, ele também é concreto. Outro dia, estando sozinho, fui provar a mim mesmo que o muro invisível existe. Saltei para o outro lado e lá estava ele, toquei-o, queria ter a certeza de que não era uma alucinação. Cheguei mesmo a tentar, de um modo súbito, arrancar um pedacinho de concreto e logo senti uma pressão, os dois muros foram se juntando, comprimindo, concreto e abstrato se fundiram. Sen...

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Essa é a cena de uma retirante moderna, feminista, independente. O que faltou na cena foi a cachorra Baleia. Mas sabemos que ela não estava com a prole porque tinha horário marcado no petshop. Até a pobreza se moderniza.
Obrigada Rita Lavoyer