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MINHAS Bolhas

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  Minhas bolhas     Um dia vi um desenho e nele nosso cérebro estava representado em dois carretéis. Não me lembro de qual autor e isso agora pouco me interessa. O que importa é a simbologia representada e o que aquela figura me causou e ainda me causa. Um fio de lembranças começa a se enrolar em um dos carretéis a partir do momento do nascimento. Com o passar dos anos as lembranças vão passando para outro carretel e aquelas que primeiro foram gravadas vem à tona. Emergem como bolhas.   Eu estou guardando as minhas bolhas em uma folha de papel em branco, depois as guardo em um arquivo. Sei que chegará uma hora que as lembranças enroladas no carretel irão desaparecer. Minha vida já enrolou lembranças demais   e meu carretel, lotado, está descarregando lembranças em um arquivo morto. Conforme o fio desenrola vai voltando ao início e eu começo ver meus pecados menores, aqueles cometidos ainda na infância. Vou começar por quando quebrei minha linda boneca de p...

Feliz Natal

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                                                                     Natal A proximidade do natal nos transporta para dias especiais da nossa vida que ficaram guardados em um recanto da memória reservado a nossa infância.   Agradeço a Deus por este pequeno compartimento onde as boas lembranças são preservadas, nele não há lugar para mágoas, nem decepções. Ele é um lugar sagrado. Inocente e puro. Nele está a criança que devemos buscar constantemente dentro de nós, é com este espírito natalino que devemos comemorar o aniversário Daquele que veio ao mundo por nós e não para si mesmo. O feliz aniversariante que nos desperta para o amor ao próximo, o r...
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                                  A grande mágica Uuuuuuuuh, foi a última manifestação, antes do silêncio ouvido pela escuridão. Um estalo seco derrubou de uma vez a energia. Não apenas a elétrica, também a humana. Ninguém viu o raio, o som do trovão ainda fugia roncando no espaço. Sob a lona do circo tudo desapareceu, a escuridão faz essa grande mágica. Não havia mais palhaços, animais, domadores nem trapezistas. Todos foram transportados para uma noite negra. O silêncio tomou conta da arena, palco, cadeiras, arquibancadas e camarins. Apenas das jaulas fugia os rumores de vida. Tudo estava suspenso, como se uma ordem tivesse gritado através daquele estalo: Silêncio. Uma criança ou outra tão logo ameaçasse chorar era impedida pelos pais que usavam todos os meios possíveis para mantê-las caladas. O pânico era geral, ninguém s...

Comodismo

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                   Comodismo Quando indignada me encontro a rabiscar as páginas em branco deste meu velho caderno, não são com palavras dóceis de boas lembranças que vou preenchê-las. Reencontrar meu equilíbrio pode ser tarefa difícil ao iniciar mais uma manhã com a perspectiva voltada para os escabrosos e nefastos acontecimentos recentes na política nacional. Chego à conclusão de que somos comodistas demais. Isso para ser gentil. Quanto a mim, confesso minha preguiça, Sigo adiante sempre aceitando o que a vida me oferece, sem exigências,   acomodada. É triste ver o findar da juventude. Triste ver que nossas experiências não bastam para mostrar que ser honesto valeu a pena, se o que nossos jovens contemplam é que a corrupção enriquece e o crime, diante da impunidade existente, virou divertimento. Uma farra que enluta e envergonha a Nação. Os indefensáveis estão preocupados em arranjar sub...

Apenas dez reais

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  Apenas dez reais. Um grupo de ciganos que povoam a praça de tempos em tempos me despertam muitas dúvidas. De onde eles vêm, para onde eles vão. São mesmo ciganos?   Na minha infância vi muitas tendas de ciganos eles apareciam do nada. Uma bela manhã eles amanheciam instalados em suas tendas. Eram ágeis nesta e em outras atividades. Mas alegravam a minha pequena cidade de interior quase sem atrativos, a não ser os circos, as touradas e as quermesses. Tudo muito esporádico. Os ciganos eram uma atração à parte, As histórias verídicas ou não sobre eles eram assustadoras. Sequestro de crianças, assaltos às dispensas, e aquelas espertas trapaças de ver as mãos e levarem os anéis. As lembranças saudáveis da minha infância não deram conta de acalmar o meu medo quando uma dessas que estavam na praça barrou minha caminhada. – Deixa-me ler sua mão senhora, são apenas dez reais. Confesso que passei do susto ao medo numa fração de segundo. Afinal são pessoas estranhas com as ...