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ROMANCE - DESCAMINHO DOS ANJOS

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Caros leitores amigos, estou muito feliz por conseguir, mais uma vez, transformar um dos meus sonhos literários em realidade:  Descaminho dos Anjos.   Permita-me compartilhá-lo com você? Obrigada Emília Goulart

CONFIDÊNCIAS DE MÃE

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Quem costuma ler as crônicas aqui neste espaço do Soletrando espera sempre encontrar a suavidade de um texto literário. Quando lerem   a sigla dos Transportes Urbanos de Araçatuba-   TUA, com certeza irão até dizer: — Opa, mas isto deveria estar na Coluna dos Leitores!   Embora a TUA desfrute constantemente daquele espaço com a altivez de uma dama, visto que jamais muda suas atitudes e desculpas, hoje ela é citada em crônica no Soletrando e prestando um serviço de utilidade pública, seu espaço se destina com objetividade a Terapias Urbanas. Não há terapia melhor que o ouvido de um amigo que o ouça. Apenas o ouça, mesmo que seja por poucos minutos. Se você, como eu, gosta de escrever, vá de TUA. Ela transporta uma fonte inesgotável de temas, uns que nos fazem rir, outros nos fazem chorar, mas este aqui me deixou muito indignada. Gostaria de ser “gente grande”, daquelas que os legisladores leem, para que eles tivessem uma ideia de como anda a humilde família bras...

AMADO JORGE e seu CAPITÃES DA AREIA

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Vivo repetindo e acredito no que digo, não dá para ser escritor aquele que não lê. Pode- -se até escrever um poema, uma crônica e com sorte escrever um conto, mas sem ter lido outros autores, não teríamos ideia de como classificar os textos. Fui pega na minha armadilha. Convidada a escrever sobre Jorge Amado senti um suor frio e pegajoso banhar minhas mãos. Da vasta obra deste escritor eu havia lido tão somente Capitães da Areia , isto porque apresentaram a obra aos meus filhos na escola e, diante das narrações que me fizeram quis saber do que   se tratava o livro. Gostei! Achei mesmo que saber como viviam os meninos de rua na Bahia não era tão ruim assim. Fiquei neste. Outras leituras me instigaram mais. Agora, às pressas, reli a Literatura Comentada de Jorge Amado e lamento não ter lido mais de sua obra. “Escrever para mim é uma coisa que faz parte, que está dentro de mim, é a única coisa que eu sei fazer. É uma coisa que vem das minhas entranhas, é uma necessidade: eu...

A ÚLTIMA PASSARELA

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Emília Goulart *    Caminhou pelo quarto quase vazio, olhou para algumas peças de roupas amontoadas na cadeira, outras esparramadas pelo chão.   O casal acabava de comprar o guarda-roupa. Madeira pura, ela garantiu, tentou com esse argumento, conseguir mais alguns trocados. A moça olhou para ela, depois para o noivo, que estava ocupado em descobrir um defeito que reforçasse a pechincha.   — É madeira de lei, pode examinar bem. O noivo percebendo a intenção reforçou — Mesmo que fosse de ouro, nem um tostão mais. Sem outras palavras, a vendedora estendeu a mão. As manchas senis explodiram em gargalhadas.                           Ao saírem a moça sussurrou:— Alzhaimer! — Não, abstinência alcoólica. Restavam ainda a cama, uma mesinha redonda, a cadeira quebrada, nada de valor. Olhou compadecida, para os velhos trastes, enquant...

CHAMAS QUE SE APAGAM

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Estou bravamente lutando com uma temporada de seca. O céu promete que vai chover, mas um redemoinho chega levantando poeira e carrega minha inspiração. Sei que é uma estação parecida com o outono, já passei por outras. As palavras estão secas e caem como as folhas, quebradiças. A caneta brinca com pequenos rabiscos e textos inacabados são dispensados no cesto de lixo. Minha inspiração foi ceifada por uma serra. O cajueiro veio abaixo, e o meu amigo e confidente bem-te-vi procurou outro lugar para se abrigar. Inspiração é um fantasma que chega, se insinua e desaparece. Seu tempo é fugaz e, se não for capturada, com a rapidez de um raio escapa.   Um casal de apaixonados morre no primeiro golpe da caneta, abatidos por um prosador, ou poeta, em uma estação de outono. Mais um papel amassado que vai parar no lixo. Em dias estéreis um cesto cheio desses papéis rabiscados pode gerar uma piada prosaica a circular pelo mundo sem que ninguém assine a paternidade. Para evita...

IDOSO NÃO É PALAVRÃO

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                                     Ser idoso é carregar da juventude muitos erros e acertos sem se queixar do peso, é valsar com a idade sem pisar na dama. A velhice é uma bruxa que voa por aí, a procura de um idoso que parou de sonhar e nele pousa para transformá-lo em velho. Daqueles que puxam uma carroça de mau humor.  A longevidade de uma vida é um prêmio concedido àqueles que, com arte, conseguiram viver os bons e os maus momentos. A cartola pode estar cheia de lenços negros e a mágica consiste em colorir antes de retirá-los. As lembranças ruins precisam ser refinadas na memória e isso leva um bom tempo. Muitos jovens perdem cedo a vida sem aprender dela a grande mágica.                    Ser idoso é aceitar, sem rusgas, a...

DESGARRADA

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Desgarrada Quero escrever poemas. Visitar-me por dentro, Como só os poetas são capazes. Meus textos são prosas. Abandono-me às margens. Minha alma se esconde nas entrelinhas, Nos cantos dos contos. Não raro se perde, No meio de um romance. Morre de mal “crônica”. Oh, poesia, resgata-me deste poço profundo de prosa. Com suas garras poderosas, leva-me. Deixa-me aterrissar inteira em nuvens poéticas. Emília Goulart é Membro do Grupo Experimental, Cia dos Blogueiros e UBE.